Prevenção do suicídio

O tal do setembro amarelo precisa de mais perguntas e menos respostas.

Se tem uma coisa que por mais que algumas vezes me angustia, ao mesmo tempo também tem muito do porquê de eu ter escolhido a psicanálise, é dela ter uma certa inexatidão nas ideias e nas palavras.

Então ao invés de fazer um post dando direcionamentos rasos, respostas fechadas e reflexões sem embasamento algum sobre o tal do setembro amarelo, deixo para vocês duas perguntas:

Como construir pontes que podem reconciliar o sujeito com a vida?

Como pensar o suicídio nos dias de hoje?

A resposta “todo mundo deveria fazer terapia” e fazer uso de medicação controlada sem questionar a posição subjetiva que o sujeito ocupa na vida não adiantam. A direção para a prevenção do suicídio pode ser a implicação para mudanças subjetivas do sujeito, mas também é indispensável que haja mudanças sociais.

Não dá para ter saúde mental quando não se têm condições de ter uma vida digna para ser vivida (para além de sobreviver).

“Nosso trabalho evidencia a importância de tratar o suicídio para além de um problema de saúde individual, pois trata-se de uma questão com profunda relação com as desigualdades econômicas e de acessos aos serviços sociais e de saúde pública.” — Maximiliano Ponte. Fonte: Portal Fiocruz

O que previne o suicídio é tornar a vida uma experiência que valha a pena. Não é broche de lacinho amarelo, não é chamar profissional da área da saúde pra dar palestra e não falar sobre saúde mental nos outros onze meses do ano, não é deixar a DM aberta para uma pessoa que está em sofrimento psíquico ir falar com você — entre outras coisas que vocês vão perceber por aí, afinal, estamos apenas no segundo dia de setembro e já esbarramos em várias coisas tipo essas daí…